domingo, 28 de novembro de 2010

closed


desce as escadas correndo e percebendo os dedos deslizarem no corrimão.o fluxo sutil daquele gesto nobre são como os dias felizes de sua vida.a dúvida enobrece cada instinto: o tato, o toque a sutileza... doses de delicadeza diária; um pedaço de momento que por vezes lhe satisfaz, porém a beleza superficial de coisas pequenas lhe determina um universo a ser esquecido. se pudesse guardaria todos os problemas num micro vestido de cor cereja, estilo: manequim de si mesma.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

céu...só

tentando erguer as pontas dos dedos o que parecia inalcansável era infinito, mas com a medida do pleno. o céu me bastava e só.

domingo, 26 de setembro de 2010

reticênciando

o pedaço guardado no fundo da gaveta era a vaga, mas suficiente lembrança. lá estaria seguro, ainda que avariado. de todas as lembranças, as melhores eram assim: num bloco amarelo/envelhecido, com cheiro de mofo e puído nas beiradas.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010


hoje eu vim pronta pra você. é triste, mas você não estava pronto pra mim. segurei taças e uma garrafa de vinho numa noite fresca. esperei por você num sábado com cara de sexta.aguardei o telefonema que não chegou. é indísivel dar mais que receber, esperar pelo impossível quando ele não lhe dá sinal. ter nós na garganta sem saber desatar.
hoje eu vim pronta, mas estar pronta, não bastava; agora minha urgência não urge mais a palavra não importa porque se faz muda, o que era presente se desfez em fita. ontem eu estive pronta, agora tanto faz.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

9 de junho

já contei três dias sem somar 1+2: um clichê comercial que nos flagela pela solidão.estar em separado dói pelas beiradas; nas noites frias, nos diálogos pra si mesmo ou na esperança de quando o presente é uma pessoa que se faz presente.

domingo, 23 de maio de 2010

says

o hiato do espaço é o nosso talvez.

terça-feira, 4 de maio de 2010

sintomas de delicadeza

a urgência amanheceu gritando e me levou pela mão avisando que já era a hora. numa cesariana sofrida, saí com quase 6kg. parecia tarde, mas ainda era cedo: 10h10. demorei a chorar apesar dos motivos que me pesavam. lá era quente, aqui menos que nada, mas sorrir ainda parecia mais legal. fui bem grande quando pequena. o universo das coisas de bebê me faltavam nas pontas dos dedos, no tamanho do berço e de panos nas roupas. mudava os números dos sapatinhos a cada 2 semanas, com as vestes não era diferente. mas meus problemas ainda estavam por vir, eles começaram quando ganhei o meu nome. parecia simples, juntar os nomes da minha mãe, inverter e determiná-lo como um período composto por aglutinação. em bom português seria isso, na vida prática e foneticamente virou um pesadelo: m-a-r-i-â-n-g-e-l-a! sim, aquilo era terrível para um bebê, mesmo que este fosse grande em tamanho ainda era um ser bem pequeno. seriam necessárias 10 letras em 5 sílabas para me definir naquele momento? quantos nomes caberiam dentro do meu? porque um nome enorme para levar para todo o sempre? e porque aquele maldito substantivo (próprio?) expressaria a prospecção da minha postura e posição de ser humano num futuro que ainda sequer existia? perguntas... perguntas... como solução me coube um apelido que levarei por toda a vida, não tão menor que o meu nome, apenas mais fofo e comum à família. menos que um nome, mais que carinho. às vezes é melhor assim.

domingo, 18 de abril de 2010

mudança

é cavalo à galope... suas agressivas galopadas já não me marcam mais o peito, cavalinho. entristeço, mas até mesmo o compassivo um dia se cansa da compaixão.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

rotina


teto, paredes, edredon, otto, preguiça. chão, porta, banheiro pia, braços ao ar. torneira, água, escova de dentes, espelho, sorriso. box, chuveiro, água fria, sabonete, dedos... insigth. toalha, corpo, lingerie, vestido...felicidade. espelho, pente, cabelos, cílios, rímel, lápis, gloss...expressão. porta, quarto, fones de ouvido, the smiths, sol forte, rua... contemplação. rumo, pessoas, ponto, espera, ônibus...tédio. caminho, telas, perguntas, respostas...coragem. papéis, canetas, esbosso, raffs, projeto... brainstorm. telefone, cotação, internet, antiguidade, poeira...espirros. persianas, café, papéis, crayons...sonho. noite clara, gente escura, ônibus, barulho...pensamento. fone de ouvido, led zeppelin, caminho de casa...sexta-feira(...)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

3.000 folhas

o limite entre os caracteres dos seres é mínimo, é exatamente onde começa o enorme sorriso no rosto e termina a tristeza irreversível. eterna pressão exacerbada do ser humano sobre o outro até descobrir este espaço ínfimo, mas importante - quase universo. é nesta hora que as pequenas diferenças e afinidades saltam pelas mínimas brechas, que o corpo clama por exaltação, a alma por acalento e a mente por rios de imaginação. qualquer reação é sentida como água em terra árida. consola, conforta e nos faz feliz.

domingo, 4 de abril de 2010

decifra-me ou te devoro


foto por antônio manuel correa*

minha boca sorri porque há articulação suficiente para isso. por conta de meus braços serem ligados a membros superiores e terem terminações táteis eles não são pernas. só choro quando glândulas lacrimejantes permitem a saída da emoção que não quer se calar. se eu falasse pelos poros falaria muito mais que falo hoje. se mastigasse com o cérebro não comeria, estaria apenas pensando. se amasse com os olhos apenas exergaria. se tivesse outra cara, seria outra pessoa. se nascesse em outros campos, talvez não estivesse aqui.

terça-feira, 30 de março de 2010

shine


além do horizonte entre alguma fresta eu via luz. em prol da fonética e da palavra correta não via problemas em adicionar a antepenúltima vogal. só assim teria mais que um efeito físico no fim do tunel: haveria presença.

sábado, 27 de março de 2010

dazed and confused


estranha e boa sensação essa, a do novo. a sombra, o raso quase cheio, o acaso.estranha boa sensação a do barulho cíclico do que cai no chão e volta a mão. boa e estranha sensação esta de ter feito a escolha certa quando tudo parecia apenas uma simples aposta.

domingo, 7 de março de 2010

SsssSsssS


seis letras na medida certa com a sonoridade necessária. passos curtos, dedos esguios, olhar lascivo, pausa. a fala é das mãos, do corpo, do "q" de malandro, do sorriso bonito e das formas não formais, reticências. o signo se esbarra, o ascedente é o mesmo, a vontade também. tem tom de bossa, frescor de primavera e a malemolência dos dias bons.

sábado, 2 de janeiro de 2010

lei do retorno

a dor que sobra é o tempo que falta.hoje, um dia a menos, é o resultado dos prazeres sempre intensos demais.é nesta hora que a ruptura para o novo sentimento aniquila, segrega e mata.porque dor só dói quando não tem mais jeito.

domingo, 6 de dezembro de 2009

(...)


andei com a cabeça
contemplei com os pés,
abri portas sem usar as mãos,
parafraseei sem abrir a boca,
comi com os olhos,
cheirei com os lábios
olhei com a intuição.
o feito era um só, e eu tinha certeza
era o certo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

a.r


um embrulho estava preparado sobre si mesmo. como se desse de bandeja, ainda que fechado sempre esteve lá: rígido, lacrado, intacto aquele embrulho. tinha face, boca, mas preferia sorrir com os olhos para aniquilar parte daquela expressão ou expectativa. de pé, na vertical, parecia fazer fila sobre si mesmo tamanha àquela grandeza. me ensinava o vocabulário que eu já conhecia, mas eu gostava de ouvir daqueles lábios sabios, como os de quem leciona.

- repita comigo: i-o-g-u-r-t-e!

só eu sabia como daquele jeito a palavra tinha ainda mais sabor...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

primeiros passos do fim

durou quatro meses. mas foi exatamente em oito dias que eu aprendi a ter fé. a fé dos que esperam que os grandes momentos sejam pra sempre. mas sempre acreditei haver muito tempo nesta palavra: sempre... existe um hiato, um espaço neste "m" que parece tornar a palavra longa demais, quase infinita. quase. mas para um dos lados o tempo de um "sempre" sempre será mais perecível; e quando o prazo expira, a dor é física. não sobra hora ou momento pra fugir. a garganta torce em dores amargas; o coração salta sem critério e a paciência não quer esperar. quando o fim chega, do sempre resta apenas a primeira sílaba.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

el cumbre


seguia na mais perfeita ordem até dobrar correndo a esquina e encontrar a grande e imponente coluna. sempre esteve ali, bem visível à esquina de sua casa. quando desnecessária fingia não enxergá-la. enquanto adorno servil em teus dias de festa, customizava-a com os mais belos enfeites para que fosse mais apreciável que nunca. quando se chateava com aquela peça estática em seu caminho preferia que fosse cinza como os antigos arquivos de metal. numa quarta ensolarada a coluna caiu em cima dela em pedaços irregulares e nada sutis. encarou cada um daqueles cacos como se fossem partes suas, um recado para si própria. pensou em erguer outro monumento, desta vez, jamais seria coluna. mas por hora, preferiu diluir os pequenos pedaços nos bolsos para mantê-los perto dos olhos e mais ainda do coração.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

quinta


tal qual o vento caminhava pelo teto, me deliciava com o seu sorriso fresco. doce era o dia enquanto manhã, sedutor era ele enquanto noite. hoje tinha um motivo: um convite. amanhã, quem sabe, um talvez. olhar para uma quinta com cara de segunda era esperar pela sexta como se fosse o primeiro dia da semana. era olhar para o “J” e enxergar a letra “A” neste meu alfabeto de língua estranha. temos outros signos para outra fonética: o discernimento é o estalar da língua no alto do céu da boca, a fala é o olhar apertado em sorriso, o problema é percebido ao coçar atrás da nuca.
e o sorriso, este é solo e de único significado: transcendência.