quarta-feira, 16 de setembro de 2009
primeiros passos do fim
durou quatro meses. mas foi exatamente em oito dias que eu aprendi a ter fé. a fé dos que esperam que os grandes momentos sejam pra sempre. mas sempre acreditei haver muito tempo nesta palavra: sempre... existe um hiato, um espaço neste "m" que parece tornar a palavra longa demais, quase infinita. quase. mas para um dos lados o tempo de um "sempre" sempre será mais perecível; e quando o prazo expira, a dor é física. não sobra hora ou momento pra fugir. a garganta torce em dores amargas; o coração salta sem critério e a paciência não quer esperar. quando o fim chega, do sempre resta apenas a primeira sílaba.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
el cumbre

seguia na mais perfeita ordem até dobrar correndo a esquina e encontrar a grande e imponente coluna. sempre esteve ali, bem visível à esquina de sua casa. quando desnecessária fingia não enxergá-la. enquanto adorno servil em teus dias de festa, customizava-a com os mais belos enfeites para que fosse mais apreciável que nunca. quando se chateava com aquela peça estática em seu caminho preferia que fosse cinza como os antigos arquivos de metal. numa quarta ensolarada a coluna caiu em cima dela em pedaços irregulares e nada sutis. encarou cada um daqueles cacos como se fossem partes suas, um recado para si própria. pensou em erguer outro monumento, desta vez, jamais seria coluna. mas por hora, preferiu diluir os pequenos pedaços nos bolsos para mantê-los perto dos olhos e mais ainda do coração.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
quinta

tal qual o vento caminhava pelo teto, me deliciava com o seu sorriso fresco. doce era o dia enquanto manhã, sedutor era ele enquanto noite. hoje tinha um motivo: um convite. amanhã, quem sabe, um talvez. olhar para uma quinta com cara de segunda era esperar pela sexta como se fosse o primeiro dia da semana. era olhar para o “J” e enxergar a letra “A” neste meu alfabeto de língua estranha. temos outros signos para outra fonética: o discernimento é o estalar da língua no alto do céu da boca, a fala é o olhar apertado em sorriso, o problema é percebido ao coçar atrás da nuca.
e o sorriso, este é solo e de único significado: transcendência.
sábado, 27 de junho de 2009
risco

o espaço entre o pavor e o medo era apenas uma linha delicada, quase invisível. duro eram os dias de solidão explícita, cortante como uma faca afiada. a palavra lasciva ouvida há uma semana lhe deixara marcas irreversíveis. antes tudo era cristal, desejo de consumo frágil, intocável, perfeito... imerso nos dias. e foram exatamente eles que mostram verdades quebráveis e afiadas. nada mais era o mesmo. portas e portais se fecharam um a um. o espaço era vazio e vão; nunca houve uma verdade, porque esta jamais se fez existir. a palavra era farsa, o beijo era farsa, o sorriso também. ficou a dúvida do toque... este se fazia real, e era naquele exato momento que sentia de volta os seus desejos mais profundos e intocáveis, sem parecer paradoxal, há exatamente uma semana, era isso que a fazia existir.
sexta-feira, 12 de junho de 2009

não teve a sorte de um amor tranquilo porque não provou amores; não dissecou seus desejos, anulou suas vontades. a princípio, a vitória: deixou de perder alguns reais com presentes, jantares, surpresas. mas logo percebeu que a sua realidade era mais cara que qualquer moeda de alto valor. pagou o preço amargando a solidão dolorida de uma sexta-feira 12, com cara de 13. ficaram pra trás vontades incontáveis: queria ser tocada, desejava se sentir importante para alguém, menos que algo, mais que nada, sobretudo, a esta altura, companhia era sonho, solidão era estar consigo mesma.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
cisco 2
muitos nomes cabem dentro do seu nome. muitas pessoas cabem dentro de voce. quando soletro j-o-ã-o-f-r-a-n-c-i-s-c-o me sinto feliz. sinto conforto. sinto muita gente com este nome, parece um concenso da maioria, mas sem soar mercenário, tendencioso. esta medida composta me deixa feliz e forte como tomar suplemento vitamínico pela manhã. dá vontade de pedir no bar da esquina, em qualquer canto: " uma dose de joão francisco, por favor". parece droga (sem ser uma droga), pois vicia e é inevitável.
joão para a mãe, francisco filho do pai de mesmo nome, cisco para mim. um pedacinho pequeno que cai no olho, mas não incomoda. cisco nos olhos dos outros é refresco, mas não o quero nos olhos de ninguém. prefiro no meu.
joão para a mãe, francisco filho do pai de mesmo nome, cisco para mim. um pedacinho pequeno que cai no olho, mas não incomoda. cisco nos olhos dos outros é refresco, mas não o quero nos olhos de ninguém. prefiro no meu.
sábado, 23 de maio de 2009
bb
quinta-feira, 7 de maio de 2009
cisco

hoje a minha palavra é muda. por saber que fui do inferno ao paraíso em muito pouco tempo. por saber que apego é algo que se consegue com sorriso, abraço, cuidado e carinho. coisas pequenas, mas impressindíveis. e é a noite que tenho tudo isso. na noite tenho mais que isso. nela encontro algo encantador, com abraço, sorriso, afago e pequenas olheiras. a noite tem um sorriso pequeno no canto da boca, que me toca antes do toque e depois com os olhos, o selinho nos lábios - do lado esquerdo - me diz:" e aí?". esta é a senha que dá asas a pequenos perigos de um portão a uma porta. no porto seguro, o suspiro da certeza, do que já está certo. o resto é paraíso. é a noite que me cubro de deletérios, agente se descobre e depois sorri. e é no meio de tudo que se antecede o fim. naquele exato momento, da porta ao portão, os perigos já não são os mesmos; tudo é indeciso. a despedida não se despede, deixa rastros pro outro dia, ou melhor, para a outra noite. e o que sobra é impreciso.
sábado, 2 de maio de 2009
palavras quebradas
amava porque era único
amava porque era
amava porque
amava.
único era porque amava
único era porque
único era
único.
amava porque era
amava porque
amava.
único era porque amava
único era porque
único era
único.
sábado, 11 de abril de 2009
...
quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando
muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema
palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema
receita para arrancar poemas presos:
você pode arrancar poemas com pinças
buchas vegetais. óleos medicinais
com as pontas dos dedos. com as unhas
com banhos de imersão
com o pente. com uma agulha
com pomada basilicão
alicate de cutículas
massagens e hidratação
mas não use bisturi nunca
em caso de poemas difíceis use a dança.
a dança é uma forma de amolecer os poemas
endurecidos do corpo.
uma forma de soltá-los
das dobras dos dedos dos pés. das vértebras
dos punhos. das axilas. do quadril
são os poema cóccix. os poema virilha
os poema olho. os poema peito
os poema sexo. os poema cílio
ultimamente ando gostando de pensamento chão
pensamento chão é poema que nasce do pé
é poema de pé no chão
poema de pé no chão é poema de gente normal
gente simples
gente de espírito santo
eu venho do espírito santo
eu sou do espírito santo
traga a vitória do espírito santo
santo é um espírito capaz de operar milagres
sobre si mesmo.
(por viviane mosé)
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando
muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema
palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema
receita para arrancar poemas presos:
você pode arrancar poemas com pinças
buchas vegetais. óleos medicinais
com as pontas dos dedos. com as unhas
com banhos de imersão
com o pente. com uma agulha
com pomada basilicão
alicate de cutículas
massagens e hidratação
mas não use bisturi nunca
em caso de poemas difíceis use a dança.
a dança é uma forma de amolecer os poemas
endurecidos do corpo.
uma forma de soltá-los
das dobras dos dedos dos pés. das vértebras
dos punhos. das axilas. do quadril
são os poema cóccix. os poema virilha
os poema olho. os poema peito
os poema sexo. os poema cílio
ultimamente ando gostando de pensamento chão
pensamento chão é poema que nasce do pé
é poema de pé no chão
poema de pé no chão é poema de gente normal
gente simples
gente de espírito santo
eu venho do espírito santo
eu sou do espírito santo
traga a vitória do espírito santo
santo é um espírito capaz de operar milagres
sobre si mesmo.
(por viviane mosé)
terça-feira, 7 de abril de 2009
foi num mês de abril...
o mês de abril costuma me abrir portas. acho que tudo começa na fonética do nome. abriu... logo, está(rá) aberto.
foi num mês de abril q comecei a trabalhar pela primeira vez. uma porta aberta com o novo emprego, duas fechadas pela dificuldade dele. eu vendia tv's por assinatura, caminhei por 3 semanas de porta em porta, mas nenhuma delas abriu. todas bateram na minha cara.
foi neste mesmo mês que comecei a enxergar a cidade com outros olhos. agora eu tinha um estágio remunerado num jornal que fazia referência a minha localização: estava na cidade. aquele abril ensolarado só me trouxe coisas boas, mas nem tantas assim...com ele veio fim de uma namoro de 5 anos, não estava feliz, mas triste também não estava. eu tinha ali o meu passaporte para a liberdade: pagava a minha faculdade, tinha um estágio/emprego e 17 anos de vida. não era nada mau.
três anos mais tarde, no ano 04, foi num mês de abril que me apaixonei perdidamente bebi água até me afogar, por quarto anos. mas nada de barriga cheia, nem de água nem de nada. cheio de água ficaram os meus olhos quando após quatro anos de relacionamento, com o casamento marcado em pleno mês de abril, descobri que estava me afogando naquele mar. as águas de (mar)ço fecharam o meu verão, mas foi no mês de abril que me dei conta que àquela era uma falsa porta aberta. Foi aos 4 anos de namoro que naquele mês 4, em 4 de abril, que me deixei só de novo. era hora de aportar. quatro meses depois estava tentando de novo a chance de ser feliz.
hoje, aos 25 anos, é num mês de abril que desejo que todas a portas do mundo se abram à minha frente, aos meus pés, porque estou de coração aberto para boas novas, boas mudanças. pretenção? nada disso. tenho um mês de abril inteiro só para mim, e isso ninguém há de me tirar.
foi num mês de abril q comecei a trabalhar pela primeira vez. uma porta aberta com o novo emprego, duas fechadas pela dificuldade dele. eu vendia tv's por assinatura, caminhei por 3 semanas de porta em porta, mas nenhuma delas abriu. todas bateram na minha cara.
foi neste mesmo mês que comecei a enxergar a cidade com outros olhos. agora eu tinha um estágio remunerado num jornal que fazia referência a minha localização: estava na cidade. aquele abril ensolarado só me trouxe coisas boas, mas nem tantas assim...com ele veio fim de uma namoro de 5 anos, não estava feliz, mas triste também não estava. eu tinha ali o meu passaporte para a liberdade: pagava a minha faculdade, tinha um estágio/emprego e 17 anos de vida. não era nada mau.
três anos mais tarde, no ano 04, foi num mês de abril que me apaixonei perdidamente bebi água até me afogar, por quarto anos. mas nada de barriga cheia, nem de água nem de nada. cheio de água ficaram os meus olhos quando após quatro anos de relacionamento, com o casamento marcado em pleno mês de abril, descobri que estava me afogando naquele mar. as águas de (mar)ço fecharam o meu verão, mas foi no mês de abril que me dei conta que àquela era uma falsa porta aberta. Foi aos 4 anos de namoro que naquele mês 4, em 4 de abril, que me deixei só de novo. era hora de aportar. quatro meses depois estava tentando de novo a chance de ser feliz.
hoje, aos 25 anos, é num mês de abril que desejo que todas a portas do mundo se abram à minha frente, aos meus pés, porque estou de coração aberto para boas novas, boas mudanças. pretenção? nada disso. tenho um mês de abril inteiro só para mim, e isso ninguém há de me tirar.
quarta-feira, 25 de março de 2009
(re)nomeando

especialmente hoje vou postar duas vezes. só porque me veio à tona um assunto que há tempos penso e que agora vem a calhar em virtude destas mudanças (reformas) em nossa língua portuguesa(brasileira).
comentando hoje num blog que muito estimo, percebi que a google e afins(blogger, orkut, etc...) cria palavras (códigos) para que possamos garantir a nossa publicação e estar salvo dos spans. enfim... notei que estas palavras codificadas - antes apenas letras soltas - agora ganham forma intercaladas por vogais, formando, assim algumas palavras. ainda que estas não tenham sentido algum.
volto ao assunto que há tempos não sai da minha cabeça: palavras que deveriam existir. palavras estas que deveriam compor o nosso vocabulário, mas, por ninguém ter lembrado delas, nunca adjetivaram objetos, sentimentos, coisas, lugares, etc.
nos meus primeiros estudos de design lidei com isso. o professor entregava uma folha de papel paraná( o papel mais horrível que conheço) e pedia para darmos forma há duas palavras inexistentes: takete e maluma. em minha concepção visual, reproduzi a takete de forma muito quebrada, cheia de farpas porque é exatamente isso que me lembra algo que viesse a ter este nome. maluma me soa mais orgânico, plásmico, ondulado. e foi assim que traduzi visualmente a concepção desta palavra. com tudo isso chego à pergunta que não quer calar: será que lidamos com as palavras certas?
para mim, camisa não tem este nome de cara. e um cd, por exemplo, parece ser muito mais que um compact disk( esta composição inglesa mesmo abrasileirada tem palavras muito quebradas para algo tão circular, tão cíclico).porém os "o's" da palavra "redondo" a deixam bem redonda mesmo. ponto para língua, esta palavra é uma das que fazem jus ao nome.
podia hoje estar falando em outro código todas as palavras que falo hoje. podia estar livre das abreviações e estrangeirismos. podia... "podia" é uma palavra que injustamente lembra outra bem mais grosseira. acho que é por isso que algumas palavras poderiam sim, ter outro nome.
You've never seen the lonely me at all

durante a noite sonho com coisas estranhas. elas não tem pé nem cabeça, mas estão lá. ninguém conhece os meus fantasmas, que me assombram todos dos dias me enchem de desejos, dores, vontades e no final das contas me mandam ir embora...
2009 me trouxe uma inquietude, um azedume aqui por dentro, uma terrível vontade de obedecer aos meus fantasmas.alguma coisa diz que a hora da partida está chegando. que este meu pequeno universo agora é realmente pequeno demais para mim. as cores estão diferentes, os sorrisos não são mais os mesmos. não mais me lembro da criança dentro de mim.
sábado, 21 de março de 2009
querência

não há nada que me tire mais do sério que a importância que os outros dão aos outros. explico: aquele individuozinho preocupado em se vestir com a camisa que todos usam – a que geralmente é a mais cara, logo, a mais aprovada pela grande massa dos que vão em vem. ou ainda aquele sujeito que não anda com o gay porque todos vão achar que ele também é um. e também àqueles que ostentam um orgulho tosco na ponta do nariz, mas não valem o lenço de papel usado. uma dose de bom senso não faz mal a ninguém, mas por favor, me poupe do falso moralismo, das falsas objetividades. um dia ela rui, acaba como todas as coisas boas da vida. prefiro abraçar quando quero, dizer eu te amo quando este for sincero, reclamar as dívidas quando elas se fazem presentes. e sentir raiva da vida quando se é preciso. e sim claro... não sentar numa calçada para beber vodka com dióxido de carbono. meu dinheiro e meu estomago valem mais do que uma vitrine para mim mesma.
QUERO APENAS QUE AS MINHAS FRASES SAIAM EM CAPS LOCK QUANDO EU QUISER SER OUVIDA. Olhar com pesar quando sentir peso em meus ombros. Quero que tudo pareça silêncio quando quiser quietude. Querotudojuntinhoquandoquiserficarjunto. fazer tudo depressa quando quiser o meu tempo. e-t-u-d-o s-e-p-a-r-a-d-o- q-u-a-n-d-o-a-m-i-n-h-a-m-a-l-d-i-t-a-l-i-n-g-u-a-m-e-t-r-a-i-r.
domingo, 15 de março de 2009
a vida(para quem fica)*
dia destes estava pensando sobre partida, após a morte do pai de um amigo. pode parecer um tanto clichê falar sobre isso, já que todos enxergam a morte exatamente da mesma forma. o estranho mesmo deste acontecimento é que há poucos segundos a pessoa estava lá, e num lapso de segundo não está mais. parece óbvio, mas muita vida se vai neste espaço/tempo. são instantes que separam um grande momento de um vazio incompensável. a dor da perda parece, sobretudo, um viés para uma nova vida para quem vai, e uma ruptura brusca para quem fica. um percurso grande há de se percorrer até que tudo se resolva, se reestabeleça... até que a ordem das coisas sigam para sua real ordem natural, mas até lá o que nos consola? o que nos reafirma?
enquanto repórter de polícia "cobri" muitas mortes... vi entes perderem os seus, e todas elas tinham algo no rosto... algo que está apenas lá, apenas no rosto de quem perde: um desejo inacabável por proteção.
Acho que os dias que se seguem acabam servindo como amortecedores, anestésicos ideais que cabem àquela situação. a proteção está aí: nada como dia após o outro. é isso que faz a tão falada "ficha cair". a maturidade dos dias compensa este instante - o da perda - que parece interminável, mas que é finito, por conta desta vida que fica para quem fica.
* (in memorian) Luiz Carlos Felisberto de Lima
terça-feira, 14 de outubro de 2008
o prazer pelas pequenas coisas
“banho tomado é sinal de convite”, já dizia a minha avó. eu já acho que “tempo é sinal de convite” e é neste tempo - quando me sobra - que faço os meus convites, na maioria das vezes para mim mesma. não por egoísmo, mas pelo prazer próprio que por muitas vezes é indivisível. por muitas vezes me tirei pra dançar, pra comer bobagem, para me abraçar enquanto choro, para me sentir, para me acariciar. prazer? sempre há... eu já percebi, mas com certeza você não...
os pequenos prazeres da vida são desliciosos e geralmente é sozinho que vc aproveita melhor isso. um dos meus pequenos prazeres é tomar banho. volto as sábias palavras da minha avó: "banho tomado é sinal de convite". ok, o prazer indivisível pode abrir um exceção. mas talvez ela tivesse razão. sabia falar por metáforas mesmo sem ao menos entender o sentido inteligível desta frase. banho tomado é sinal de ar novo, novas experiências, permissões, cara limpa, junto ou separado. banho tomado é estar aberto a novas oportunidades, nem que seja para se sujar de novo. sujar é experimentar. bom demais né?
eu já tomei o meu banho, e você?
os pequenos prazeres da vida são desliciosos e geralmente é sozinho que vc aproveita melhor isso. um dos meus pequenos prazeres é tomar banho. volto as sábias palavras da minha avó: "banho tomado é sinal de convite". ok, o prazer indivisível pode abrir um exceção. mas talvez ela tivesse razão. sabia falar por metáforas mesmo sem ao menos entender o sentido inteligível desta frase. banho tomado é sinal de ar novo, novas experiências, permissões, cara limpa, junto ou separado. banho tomado é estar aberto a novas oportunidades, nem que seja para se sujar de novo. sujar é experimentar. bom demais né?
eu já tomei o meu banho, e você?
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
a escolha
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
mr8

vermelho, doce, lágrima, inquietude, arte, escrita, toque, leitura, fala, libra, líquida, amarga, híbrida, alérgica, mulher, sorriso, beijo, unhas, boca, pernas, indecisão, pulseiras, literatura, detalhes, cabelos rebeldes, morangos, respingos, vodka, cereja, preto, chocolate, prata, traço, fissura, medo, vertigem, pintura, abacaxi, quietude, cor, colagem, gargalhada, vestígios, olhares, expressões, gestos, manias, rímel, abraço, passos curtos, dedos longos, vestidos, fibras, concreto, matizes, loucura, sapatilhas, piadas internas, insensatez, recorte, desafio, flor, mariangela, campos, honorato.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
07/10

eu me lembro que meu pai sempre dava tudo a ele - o mundo se possível - mas este mundo sempre vinha através dos objetos que ele mais gostava. uma hora era a bicicleta, em outra aquela mochila de marca que tanto queria. ele sempre foi diferente, era doce e meigo, apesar de um tanto mal-humorado. em comum tínhamos apenas o signo e a proximidade dos aniversários. com o tempo vimos crescer a doçura que ele herdou da minha mãe.
quando éramos pequenos, antes de dormir, havia um ritual. deitávamos na mesma cama, mas em direções opostas e um dos dois sempre iniciava uma briguinha com os pés. um dia eu, outro dia ele. a medida era contar até cem, aí a nossa guerra acabava.
uma irmã mais velha, e três irmãos mais novos: coube ao Allan ser o filho do meio, assim como eu. aquele que fazia do sorriso o caminho entre um lado e outro da família. vivia tão perto da minha mãe que tinha um truque secreto que o fazia também próximo ao meu pai. mas o elemento proximidade foi uma coisa que ele sempre conseguiu em qualquer lugar que estivesse sem nenhum esforço.
ao longo do caminho, vivemos histórias diferentes. por conta das nossas escolhas, as nossas distancias... a sua foto na carteira sempre esteve aqui, ainda que às vezes soasse apenas como lembrança.
três anos exatos nos separam. ele se casou aos 25, eu, fazendo 25, ainda não me casei. ele teve uma só namorada e se casou com ela, eu que tive mais que 3 ainda não me casei. ele não tem filhos, mas sonha muito em tê-los. já eu ... não posso dizer. ele tem a doçura que ainda procuro em mim.
o tempo passou e nos fez perder muitas coisas pelo caminho. as nossas birras e diferenças também se foram. por um momento fomos de gerações quase distintas. hoje não somos mais. temos os nossos vinte e poucos anos e que seja assim, para sempre. a vida nos deu um para o outro e descobrimos tanto em comum.
desde que ele saiu de casa, quando nos vemos, as despedidas ficaram maiores e os abraços e beijos se tornaram tão compridos... maiores e mais longos que de costume, mas nunca dizemos nada porque quase nunca é preciso. os gestos falam por nós.
com cada irmão é uma história de amor. a nossa é assim.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
um estranho ser (que não existe)

você diz que não, mas sabe surtir em pequenas delicadezas. sabe fazer carinho, ser criança, ser protetor e protegido por vezes ou outras. e é esta alternância que adoro. como este teu vocabulário de terminações incertas, imprecisas, mas puras, como quando diz “pode pô”, para explicar que posso colocar algo em algum lugar ou “uê?” pra me questionar sobre qualquer assunto. gosto das conversas paralelas, desacertadas por vias virtuais, meios que agente nunca sonhou mediar, mas que é o nosso predileto. na língua falada você diz o certo que eu não sei dizer. escrevendo é certo que ganho de você. me perco e me acho em todos os seus defeitos que me parecem tão certos que não acho ser justo merecer um adjetivo assim, tão incorreto. me encanto com a nossa medida competitiva em relação à todas as coisas. me envolvo com os seus meros detalhes, como as suas camisas lisas de cores alternadas. Aprendo todos os dias a palavra “você” de forma diferente, simplesmente porque você não é como os outros.
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