quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
uns
pela tela fria, sobra o seu calor pelas vias que podemos ter. se falta o toque, existe a energia. se falta o paladar, sobra dedos para escrever. se a conversa não é literal, fazemos por acontecer. entregues para se doar, se querer, se sentir, se gostar, se fazer. no nosso mundo de sonhos inimagináveis as barreiras são transponíveis. o céu não conhece o limite. a distância não existe mais. a língua incide, é membro, é corpo, é fala (...) é a prova. as paralelas fazem curvas e se encontram. o nosso preto e branco faz yin-yang: são perfeitos, permissíveis. mastigamos o tempo somando números que não existem. vivemos em contagem regressiva para a linha de chegada com cara de ponto de partida.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
décimo primeiro

em um lance os dados correram juntos até perderem-se. em par, somavam 11, ninguém jamais entenderia ou veria aquela soma; o som dos dois juntos era justificável e bem mais interessante do que a adição de valores menores. a dúvida libertina do jogador ficava num espaço comodo: entre a escolha certa e o menos provável, o que no fundo tinha o gosto da não escolha. quando um mais um faz um par, onze é menos que nada.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
a difícil tarefa de ser feliz
quando era criança tudo me fazia feliz: ir à escola, ganhar um brinquedo novo, comprar um doce, ver os meus avós desembarcarem do ônibus com uma bandeja cheia de bolo de banana direto do Rio para mim e para os meus irmãos. não era difícil ser feliz. a felicidade era pequena e simples como um artigo colorido e barato da lojinha de bairro. incomum era não viver isso. lembro-me de rir de tudo, de ser feliz com os comerciais da TV, de criar um mundo imaginário em minha cabeça, onde um jardim era uma floresta e a sala de estar da minha casa era uma cidade inteira. lembro-me de torcer para que o carro do meu pai quebrasse para andarmos de ônibus. em meu pensamento infantil, teriam mais pessoas naquele “carro maior” logo isso também seria mais divertido. quando era criança havia um universo de coisas conspirando ao meu redor, pois a brecha de permissão para a felicidade era, apenas, deixá-la entrar. junto ou separado de uma coisa eu sabia: a felicidade daqueles tempos era de fato feliz. infelizmente crescemos e queremos a felicidade de um tamanho muito maior do que ela realmente pode ser. ela não está mais nas pequenas coisas, mas nos grandes ganhos. deixamos de ser lúdicos e líricos para sermos infelizes. onde erramos? onde está esse limite? onde esquecemos a medida?
falando agora em felicidade posso visualizá-la e saber o que exatamente nesse instante me faria muito feliz, mas é uma felicidade sem doçura, uma felicidade adulta, sem cor, sem magia e perecível, porque o difícil dever de ser feliz está em saber dividir.
falando agora em felicidade posso visualizá-la e saber o que exatamente nesse instante me faria muito feliz, mas é uma felicidade sem doçura, uma felicidade adulta, sem cor, sem magia e perecível, porque o difícil dever de ser feliz está em saber dividir.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
ode
do abraço afável ao toque da ponta dos dedos, do sorriso em leque, na expansão de sentimento em conselhos. a cautela, a proteção não protestante. as expressões amigas em gestos de delicadeza.o silêncio que não quer silenciar, a fala que não se cansa de falar. o acolhimento dos dias bons e ruins. a gargalhada escandalosa que abre caminhos. a atenção precisa de quem quer cuidar.
pai
mãe,
família
amor,
aos meus amigos de todos os dias:
obrigada.
pai
mãe,
família
amor,
aos meus amigos de todos os dias:
obrigada.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
um texto pra nós

das práticas mais antigas da vivência humana está o amor. e este, por sua vez, nunca morre. dá volta e meia, volver. se vira, se recicla, se propõe, se entrega, se revela, mas não se vai. de pai, de mãe, de irmão, de amigo, divinal... o amor... dá volta e meia volver. e volta e meia eu vou vê-lo, nos olhos do passado que se faz presente, nas palavras de quem realmente quer voltar. o amor tem um só tamanho, e é exatamente o tamanho que quero pra mim.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
dani(elle)-se..."dani hélice"

uma menina cheia de cor cruzou o meu caminho. menina cor, menina luz, menina bala. os olhos pensam, o corpo fala. se chamasse cor seria todas. se fosse um doce seria jububa. menina alegria! nas unhas, nas caras, nas indumentárias. rei midas da cor. coloca pigmento nessa massa: de bolo, de gente, de modelar. coloca tudo nessa bolsa, o detector não vai te pegar. transforma tudo em arco-íris, dá um pedaço dessa luz? vai à lapa, ao lavradio, vai ao mundo, ao infinito que esse espaço não tem tamanho, mas ele é todo seu.
quarta-feira, 27 de abril de 2011

se as palavras não faltassem e a língua permitisse, entregaria de bandeja esse jogo que é o seu. ser serpente, ser maldita, maldizer o que se diz, é deixar entre lacuna esse fio, esse lance por um triz. é escondendo que se mostra, que se revela as entrelinhas, conheço cada uma das suas, teus progressos, o que te intima. conhece pouco de mim, sei muito de você, passeio nos teus caminhos, pouco sabe onde andei. da sua base descobri o que é o teu medo da perda, a donzela do seu castelo é jovem plebéia, sou suprema...realeza.
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